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Pensamentos

Entre pausas e retornos: o que eu aprendi sobre propósito, trabalho e saúde mental

Toda vez que eu decidia mudar o rumo da minha vida, achava estar começando do zero

Foram tantos “começos”… No fundo, eu estava à procura de algo que me preenchesse e fizesse sentido — além de garantir o meu sustento. Desde cedo quis trabalhar. Iniciei aos 17 anos e travei uma luta com o meu pai porque ele achava que era necessário eu estudar. Errado ele não estava. Mas eu precisava ter o meu dinheiro para fazer as minhas coisas.

Desde então, foram muitos anos na busca pelo conhecimento certo, a experiência ideal e a tão sonhada prosperidade financeira.

Entre conselhos, medos e buscas

Pelo percurso, recebi orientações de pessoas diversas me dizendo para escolher um caminho e persistir. Inclusive uma astróloga: “Você precisa decidir e ter foco”. Mas a pressão do mundo ao meu redor era maior. A insegurança, a baixa autoestima, o medo da escassez — tantos fatores me fizeram duvidar de mim mesma e do meu propósito profissional.

Hoje, olhando com mais clareza, percebo: meu verdadeiro objetivo sempre foi servir com intenção, contribuindo com algo que agregue ao mundo — e não apenas trabalhar por dinheiro.

A comparação me paralisava

Durante uma sessão de terapia, ouvi algo transformador:

“Juliana, não dá para você se comparar com os outros. Você é diferente. Você não quer ser CEO nem ter um carro conversível” (ou descapotável, como dizem em Portugal).

O óbvio nem sempre é óbvio, e eu precisei ouvir isso para entender algo tão simples.

O tarot disse: estou pronta

Essa semana, tirei cartas. O tarot me disse que tenho tudo o que preciso para alcançar o que desejo — e que, ainda que eu duvide, estou pronta. Só preciso começar.

Mas… nesse ponto eu discordo das cartas.

Não é um começo. É uma continuação.

Tudo o que fiz e aprendi me trouxe até aqui. Nunca parei. Estive o tempo todo buscando, estudando, realizando — do jeito que dava, com as ferramentas que eu tinha. Errando ou não, me sabotando ou não, cheguei até aqui porque não desisti de mim.

Quando o corpo pede socorro

Mas uma hora, o caminho do medo cobra seu preço. E comigo, cobrou. A tristeza, o sentimento de fracasso, a apatia — tudo junto.

Dois anos atrás, desabei.

Entrei numa espiral automática. Os sentimentos foram embora. Eu só executava o necessário, no modo mais básico possível. Não tinha forças.

Os médicos deram nome: depressão.

Demorei a procurar ajuda. Acreditava que podia resolver sozinha. Sempre fui “forte”. Mas não dei conta. E antes de sucumbir completamente, pedi socorro.

A pausa necessária

Algumas sessões de terapia e dezenas de comprimidos depois, começo a voltar ao meu corpo e à minha consciência.

Foi — e ainda é — uma pausa necessária.
Para escutar o que eu silenciei. Para acolher o que eu negava.

E agora, aos poucos, vou retomando meu processo — de dentro para fora. Essas palavras escritas aqui são o meu primeiro passo. Não de um recomeço, mas de uma nova fase do meu projeto de vida.

Se você está num momento parecido, saiba: pausar não é fracassar. O silêncio também é parte do caminho. E você nunca começa do zero quando continua com o coração desperto.

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