Um retrato íntimo sobre vulnerabilidade, recolhimento e recomeço em meio às transições da vida.
Texto escrito em Lisboa, 16 de agosto de 2025.
Depois de muito tempo sem usar uma câmera analógica, comprei uma daquelas descartáveis à prova d’água e recentemente mandei revelar. O resultado são algumas dessas fotos que compartilho aqui.
Em um primeiro momento hesitei em postá-las. Pensei no hábito que temos de tirar mil fotos até que uma saia a contento, mostrando o quanto estamos bem e bonitas. No analógico não tem segundas chances: as coisas são o que são naquele instante.
E, para ser sincera, achei que estou horrenda nessas fotos. Mas é o que é. Essa também sou eu — e não tem como negar.

Muitas coisas estão acontecendo por aqui e tenho tentado me esconder. Vergonha e frustração por estar desconectada de mim — aquela pausa que falei outro dia. Amigos e família pouco sabem sobre mim e peço desculpas por isso. Não é nada pessoal, apenas um tempo necessário para reavaliar a minha vida antes de voltar.
Quando escrevo esse texto, faltam 14 dias para o meu aniversário. Dizem que estou no inferno astral. Prefiro acreditar em uma versão que ouvi uma vez: este é um tempo de recolher e digerir o caminho até aqui, curar o que precisa ser curado, recalcular a rota e cultivar energia para o ano vindouro.
Fases como essas são importantes, mas poucas pessoas entendem. Muitos creem que estou perdendo tempo de vida por não estar na rua, bebendo cerveja ou convivendo com amigos. Certo ou errado, minha natureza sempre foi essa: sou uma pessoa solitária, que encontra na solitude forças para caminhar.
Neste momento não sinto que sou a melhor das mulheres. Mas, nessa reclusão, estou trabalhando para transformar isso dentro das inúmeras adversidades em que me encontro.
Para muitos, essas fotos são apenas fotos. Para mim, são coragem. Um exercício de expor minha vulnerabilidade e aceitar a verdade do que sou feita.
Mais um passo na minha recuperação.
